Brasil adota manual da OIT para medir valor do trabalho voluntário

Fonte: http://www.idis.org.br

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Brasil faz parte de um grupo de seis países que se comprometeram a mensurar regularmente a extensão do trabalho voluntário e a contribuição econômica que esta prática traz para a produção da riqueza nacional.

Os outros cinco países que realizarão medições periódicas sobre o voluntariado são o Canadá, a Polônia, a África do Sul, a Coreia e a França, de acordo com o diretor do Departamento de Estatísticas da OIT, Rafael Diez de Medina. A ação é um dos desdobramentos implementados por decisão do Ano Internacional do Voluntariado das Nações Unidas, comemorado em 2005, e foi divulgada pela organização por ocasião do lançamento do Manual on the Measurement of Volunteer Work (Manual de Medição do Trabalho Voluntário), em março deste ano.

O objetivo da publicação é estimular os países a criar sistemas estatísticos capazes de oferecer informação específica, e atualizada regularmente, sobre a participação da sociedade na solução de problemas sociais. Segundo a OIT, os órgãos estatísticos atuais “frequentemente ignoram ou raramente capturam a crescente importância“ do voluntariado na vida das nações.

Os dados oficiais mais recentes a respeito do voluntariado no Brasil disponíveis se baseiam em pesquisa realizada pelas Nações Unidas, em 2003 – Handbook on Nonprofit Institutions in the System of National Accounts in Brazil (guia das instituições sem fins lucrativos nas estatísticas do Brasil), que usou dados do Censo IBGE 2002. De acordo com o estudo, à época havia 42 milhões de voluntários no País – cerca de 23% da população. Se este percentual fosse mantido, hoje seriam aproximadamente 44 milhões. A expectativa é que o número real seja maior, uma vez que a última década foi caracterizada por um aumento expressivo do número de empresas, fundações e institutos que criaram seus próprios programas de voluntariado para estimular a participação de seus funcionários e, muitas vezes abertos a sociedade em geral.

Voluntariado no Brasil – Nos últimos dez anos, o ambiente corporativo abriu-se definitivamente ao envolvimento das empresas com questões sociais importantes de comunidades menos assistidas com que elas se relacionam, como causas ambientais e apoios a populações em risco social, e outras da sociedade em geral. O retorno de imagem institucional fortaleceu esse caminho. Segundo estudo realizado pelo Conselho Brasileiro de Voluntário Empresarial (Pesquisa Benefícios para as Empresas), 95,3% das pessoas acreditam que a participação social e o trabalho voluntário “consolidam valores éticos”; 93,8% creem que este envolvimento “melhora a relação da empresa com a comunidade”; 92.2% concordam que “favorece o trabalho em equipe”; e 90,6% que “melhora a imagem institucional da empresa”.

Outro estudo disponível, Perfil do Voluntário Brasileiro, realizada em 2004 pela empresa de consultoria Ipsos Marplan para o Portal do Voluntário, informa que 53% dos voluntários são mulheres e 47%, homens – ambos com alto grau de escolaridade: 20% completaram o ensino superior e destes, 23% tinham pós-graduação. Trabalho realizado pelas pesquisadoras Leilah Landim e Maria Celi Scalon (Doações e trabalho voluntário no Brasil) apurou que o maior percentual de voluntários (31%) é jovem, na faixa de 18 a 34 anos, e que este grupo dedica 6 horas/mês ao trabalho voluntário – totalizando 74 horas anualmente. Ainda de acordo com o estudo, a participação jovem no voluntariado aumentou de 7% para 34% entre 1995 e 2000.

A sistematização regular de informações relativas ao trabalho voluntário contribuirá para o setor avançar em seu autoconhecimento e, consequentemente, aperfeiçoar suas estratégias de atuação. A adoção do manual da OIT permitirá, assim, monitorar a evolução do voluntariado, e, consequentemente, da filantropia brasileira com base em informações mais atuais.

Para fazer o download do Manual on the Measurement of Volunteer Work no site da OIT, clique aqui.